Abre bem as portas de seu coração
E deixa a luz do céu entrar (cântico da missa de Ação e Graças)
A inauguração da Praça Marília Capua, no dia 26 de setembro, um domingo sem sol, mas iluminado, começou ao meio-dia com a missa de Ação de Graças (veja trecho de hino cantado na ocasião), rezada pelo Padre Quinha, da diocese de Petrópolis, auxiliado por membros de sua Pastoral da Rua e da Oficina de Jesus.
Desde cedo os convidados chegavam de todo lado. De carro, bicicleta e a pé, eles iam encontrando o seu lugar na pequena e acolhedora igreja. Reformada pelos membros da Pastoral do Padre Quinha, a Igreja de Santa Terezinha ganhou ares festivos e delicados.
Cores suaves e o respeito pela arquitetura original mantiveram o estilo original pensado por Marília Capua. Em pouco tempo a igreja estava lotada e a missa, com o auxílio de uma poderosa aparelhagem de som, pôde ser acompanhada por quem estava no Centro Educacional Santa Terezinha e até mesmo nas redondezas.
Todos os filhos e netos de Marília Capua estavam presentes. Toda a comunidade do CEST participou da missa lendo trechos do Evangelho.
Tão logo a missa terminou todos foram para o gramado assistir ao desfile da Banda dos Garotos de Petrópolis, que seguiu tocando por alguns minutos na Praça. Após esta apresentação, a placa foi descerrada pelo filho de Marília, Fábio Capua, representando a família.
O Prefeito de Petrópolis, Paulo Mustrangi discursou, não poupando sua admiração e elogios ao projeto que Marília Capua criou, desenvolveu e agora foi retomado.
Maria Cecília, a diretora e idealizadora do novo método educacional do projeto, fez um discurso onde agradeceu a todos.
Mas ficou faltando um, que foi falar com ela no final e recebeu os agradecimentos de perto: o “Seu” Manduca, que trabalhava na construção da igreja. Ele estava assistindo a tudo pelo lado de fora, olhando de binóculos, mas criou coragem e entrou. Deve ter valido a pena!
A Secretária de Educação do Município de Petrópolis, Maria Alice Lima, o Secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Charles Rossi e demais autoridades do Município também prestaram as suas homenagens.
Cerca de 300 pessoas, incluindo alunos, funcionários e membros da comunidade do Cuiabá, participaram de uma confraternização onde o ponto alto foi o cardápio delicioso, preparado pelas cozinheiras do CEST e do Grupo Expansão Mulher, do Vale do Cuiabá. Mesinahs espalhadas pelo pátio florido, tornaram mais agradável a tarde dos convidados.
Maria Cecília falou aos convidados deixando as histórias e a memória fluírem.
“Estamos reunidos aqui, para inaugurar a Praça Marília Capua. Homenagem cheia de carinho e gratidão, que a comunidade do Vale do Cuiabá rende à mulher cuja obra transformou e iluminou a vida de todos os moradores dessa região.
Marília chegou aqui muito jovem. Não tinha 30 anos. Escolheu com seu marido Júlio esse lugar para repouso e lazer. O Cuiabá nessa época era muito pobre, crianças morriam de sarampo e mulheres de parto. Não havia luz elétrica e a estrada era de barro. Marília teve então a sensibilidade de perceber que, como diz a canção, “é impossível ser feliz sozinho.” Desafiando assim o determinismo de um velho ditado, acreditou que uma andorinha faz verão, e fez.
Fundou um posto de saúde e uma escola primária. Essa escola, não era mais uma escola entre tantas outras que já existiam em outros lugares. Era uma escola aberta para a comunidade, que incluía no seu espaço um posto de saúde. Uma escola de portas abertas para celebrações, esporte e lazer.
Todos os domingos acontecia uma sessão de cinema. Eram exibidos filmes para toda a população. Campeonatos de futebol eram muito disputados.
Marília via a educação não apenas como transmissão de conhecimentos, mas como alimento para o espírito. Assim sendo, convocou para dirigir a escola e atender a comunidade três Irmãs Vicentinas e um Frade Franciscano, Frei Vital. Frei Vital era um andarilho que ia de casa em casa, subindo e descendo morros, espalhando a Boa Nova do Evangelho. O resultado de toda esta obra é que o analfabetismo foi erradicado do Vale do Cuiabá.
Jovens já se formam em cursos universitários, muitos já fazem ou já coordenadoras de projeto; alunos e seus familiares; os Guardiões desse lugar; a paisagista que desenvolveu o jardim da Praça; profissionais que reformaram a Escola; funcionários que fazem a manutenção do espaço; artistas que reformaram a Capela Santa Terezinha; a equipe da Revista Nossa Praça; a equipe que produziu o site Nossa Praça; a Secretaria de Educação do Município de Petrópolis. Todos juntos formamos os alicerces de uma Comunidade Educadora Sustentável, que nas belas palavras do Professor Carlos Brandão ‘busca novas maneiras de gerar e viver a beleza do Milagre da Vida’, diz Maria Cecília.”
João Pedro Gouvêa Vieira, diretor administrativo do CEST e Fábio Capua, filho de Marília Manoel Furtado Sobrinho (Seu Manduca), 87 anos, um dos moradores mais antigos do Vale do Cuiabá
O que o senhor achou da reforma do Centro Educacional Sta. Terezinha?
Achei ótima. Muito boa, bem feito o serviço do campo de futebol, fiquei muito satisfeito em olhar para lá e ver tudo reformado, porque estava tudo abandonado. Ajudei a construir boa parte das casas existentes no Cuiabá, inclusive a Capela de Sta. Terezinha.
Mais além da Praça, a melhor e maior homenagem que podemos render à fundadora e idealizadora desta escola é com muita coragem, entusiasmo, persistência, cuidado, alegria, solidariedade darmos continuidade à sua obra.
Somos muitos! Muitas estrelas que não podemos esquecer de contar, formando uma grande constelação da Paz e Benquerença. A Mitra Diocesana; a Associação de Moradores; o Conselho Comunitário do Vale do Cuiabá; o Grupo Jovens em Ação; o Grupo Expansão Mulher; a Pastoral Comunitária; a Oficina de Jesus; transformando lixo, salvando vidas; a equipe do Pró-Saber. Todo corpo docente da Escola, diretora, professores, funcionários de apoio,